
Condução - Só sei que nada sei...
Data: Tuesday, January 28 @ 23:01:18 CET Tema: Segurança Rodoviaria
O ego dos condutores é muito superior à capacidade técnica de dominar o veículo. Equilibrar estas duas vertentes é o grande objectivo do curso de "condução avançada" que a Automotor foi tirar ao Algarve, na EMSDrive. Um centro de formação, cuja filosofia assenta na dúvida socrática do "só sei que nada sei", ponto de partida ideal para derrubar alguns mitos e começar a aprendizagem.
Só sei que nada sei...
Imagine duas colunas distintas. Uma delas representa a auto-estima dos condutores e é altíssima. E uma outra, relativa à técnica dos mesmos, normalmente à altura da mediocridade. Por mais simples que possa parecer, a um primeiro olhar, o objectivo máximo do curso de "condução avançada" que a Automotor foi tirar ao Algarve, na EMSDrive - um centro de formação da BE Consultores -, é justamente o de servir de fiel da balança entre estas duas vertentes tão desequilibradas nos automobilistas.
Esqueça tudo o que sabe sobre cursos de condução defensiva. A óptica aqui é completamente diferente. "A primeira grande lição a retirar é a de que não sabemos nada." Para Luís Escudeiro, o grande mentor do projecto, esta é a pedra basilar da filosofia da EMSDrive: a eterna dúvida socrática do "só sei que nada sei".
Um ponto de partida ideal para uma aprendizagem correcta. Se, no final do curso, os alunos disserem algo semelhante à frase do célebre filósofo grego, já o responsável se dará por satisfeito, pois estará lançada a semente para poderem desenvolver uma "pesquisa pessoal, a posteriori, todos os dias, na estrada".
Derrubar mitos
Sentamo-nos na sala de formação, juntamente com os restantes alunos - a inscrição custou-lhes 90 e. E seguem-se valentes horas de teoria. A meio da sessão, assalta-nos o já referido conceito socrático. À nossa frente, Luís Escudeiro disserta sobre a matéria que tão bem domina, derrubando alguns arquétipos da condução que todos na sala (sem excepção) julgávamos adquiridos.
Exemplos? Faltaria espaço. Mas podemos adiantar-lhe, caro leitor, que começava logo pela forma de se sentar. Um dos erros mais comuns é o das pessoas se colocarem demasiado perto do volante, numa clara demonstração de falta de confiança, ou mesmo de visão, que torna impossível virar com precisão e suavidade. E pode mesmo ser perigoso devido ao airbag.
A postura adoptada por muitos condutores, com os braços esticados, lembra os pilotos de F1. Só que estes não necessitam de virar mais do que 1/4 do volante para virar totalmente a direcção, seja qual for o circuito. Acha que sucede o mesmo na via pública? Para a EMSDrive, é preferível o que fazem os pilotos de ralis, sentados mais próximos do volante, permitindo-se, assim, efectuar várias voltas com rapidez e precisão - a palma da mão deve alcançar o topo do volante, sem esticar o braço.
E por falar em volante: como é que as mãos devem ser colocadas neste durante a condução? "Qual é a posição correcta?" pergunta o formador. "É tipo 10 para as duas", respondem quase em coro os alunos, reportando ao que aprenderam nas escolas de condução. "Errado"! Luís Escudeiro, servindo-se de um volante para provar a teoria, defende que, na maior parte dos países do Norte da Europa ensinam a colocar as mãos na linha média do volante, ou ligeiramente abaixo, sendo que nos cursos de aperfeiçoamento ou de pilotagem, nem sequer se discute.
A formação abrange ainda aspectos relacionados com a mecânica, pneus, viragem, subviragem, aderência, ângulos de abordagem das curvas e travagem, arrasando, neste último capítulo, mais um mito. "Em caso de embate iminente, não se preocupe em fazer reduções com a caixa... preocupe-se em travar!", adianta Luís Escudeiro. Como diz, hoje, quase todos os automóveis têm ABS - e, em 2004, todos os veículos novos, vendidos na UE, vão ser obrigados a tê-lo -, e procurar a redução apenas faz com que soltem ainda mais a viatura, ao carregar na embraiagem.
Muitos batem com a embraiagem a fundo. "Fazer muitíssimo bem a travagem, é isto que é a condução avançada", disse. Nada como recordar as palavras do famoso piloto Jackie Stewart, que, um certo dia, afirmou, humildemente, que "a última coisa que aprendeu a fazer bem foi a travar"... É esse o espírito!
Fonte : AutoMotor Online
|
|